A recente visita da princesa de Gales a Reggio Emilia reacendeu um debate fundamental: que infância estamos ajudando a construir? Ao conhecer de perto a abordagem pedagógica desenvolvida por Loris Malaguzzi, Catherine colocou novamente no centro da discussão uma concepção de educação infantil baseada na escuta, na experiência, na criatividade e nas relações humanas.
As reportagens sobre a visita destacaram elementos emblemáticos da experiência de Reggio Emilia: o protagonismo das crianças, o ambiente como terceiro educador, os ateliês, a natureza, a documentação pedagógica e a construção coletiva do cotidiano escolar. Mais do que uma metodologia, trata-se de uma compreensão de infância que reconhece as crianças como sujeitos de cultura, pensamento e direitos.
Talvez seja justamente isso que tenha despertado tanto interesse em torno da visita. Em tempos marcados pela aceleração, pela hiperestimulação e pela antecipação de aprendizagens, Reggio Emilia lembra ao mundo algo essencial: crianças precisam de tempo, presença, vínculos, imaginação e pertencimento.
Esse debate, no entanto, não está distante da nossa realidade.
O Colégio Franciscano São José, em Erechim e região, ao longo de seus 103 anos de história e compromisso com a educação, vem aprimorando, na educação infantil, um diálogo com princípios que valorizam a escuta sensível, o cotidiano, as múltiplas linguagens infantis, o brincar, os vínculos e o protagonismo das crianças. Uma perspectiva que compreende a infância como experiência viva, potente e significativa no presente.
Isso exige coragem pedagógica. Coragem para desacelerar, para reconhecer que nem tudo pode ser reduzido a resultados mensuráveis e que o conhecimento também nasce do encantamento, da curiosidade, da experiência estética e das relações que as crianças constroem entre si, com os adultos e com o mundo.
É no aparentemente pequeno que a infância revela sua grandeza: numa pergunta que reorganiza o planejamento do dia, num graveto que vira narrativa, numa poça d’água que se transforma em investigação, numa roda de conversa em que a criança percebe que sua voz tem valor.
Em Reggio Emilia, fala-se muito sobre escuta. Não apenas ouvir palavras, mas escutar gestos, silêncios, brincadeiras, hipóteses e narrativas infantis. E talvez essa seja uma das urgências mais profundas da educação contemporânea: reaprender a escutar as infâncias.
No contexto do Colégio Franciscano São José, as reflexões de autores que pensam as infâncias dialogam com a proposta pedagógica institucional. Nesse percurso, compreende-se que práticas que valorizam os rituais cotidianos, a construção coletiva dos espaços, a experiência simbólica, a documentação pedagógica e o acolhimento das crianças em sua integralidade são fundamentais na constituição humana. Em tempos marcados pela aceleração e pela antecipação das aprendizagens, torna-se cada vez mais necessário sustentar experiências que reafirmem a infância como dimensão essencial do processo educativo.
Esse movimento seguirá ganhando espaço em Erechim. No próximo dia 20 de junho, o Colégio Franciscano São José receberá, em parceria com a Vincular, um importante encontro formativo voltado às infâncias, à educação e às experiências do cotidiano, com a presença de Gandhy Piorski e outros convidados. O evento acontecerá no ginásio do colégio e reafirma um compromisso que vem sendo construído coletivamente: pensar a educação infantil como experiência humana, cultural, sensível e relacional.
O desafio do século XXI consiste em construir nos nossos próprios contextos, uma educação capaz de sustentar o encantamento, a escuta e a humanidade das crianças. Uma escola comprometida com a infância não pergunta apenas “O que a criança precisa aprender?”, mas também: “Que experiências merecem ser vividas na infância?”
Daiane Bornelli de Andrade, coordenadora pedagógica da educação infantil do Colégio Franciscano São José
“Entre medidas, misturas e descobertas, a infância aprende também com as mãos, com os sentidos e com a experiência do cotidiano.”
“Quando o brincar encontra a matéria, o corpo e a liberdade, a criança transforma o cotidiano em experiência viva.”
“As múltiplas linguagens infantis se revelam nos pequenos gestos, nas tentativas, na curiosidade e na delicadeza das descobertas.”
“Escutar as infâncias também é reconhecer que a natureza pode se tornar espaço de investigação, imaginação e pertencimento.”



