Com essa reflexão, a psicóloga Monique Rosset conduziu um importante momento de diálogo e conscientização com os estudantes do Ensino Fundamental Anos Finais. A atividade proporcionou uma ampla reflexão sobre a história, a cultura e as contribuições dos povos africanos e afro-brasileiros para a construção da sociedade.
Durante a palestra, Monique destacou que a identidade negra vai muito além da história da escravidão, frequentemente retratada nos livros. Segundo Ela, os povos africanos contribuíram significativamente para o desenvolvimento da humanidade em áreas como matemática, astronomia, agricultura, mineração, metalurgia e fundição do ferro. Essas contribuições também se expressam em manifestações culturais que permanecem vivas até os dias atuais, como a capoeira.
A palestrante ressaltou ainda a importância de desconstruir estereótipos e ampliar o conhecimento sobre a riqueza e a diversidade do continente africano. Entre os temas abordados, destacou-se o fato de que a África foi berço de importantes civilizações e conhecimentos, possuindo uma trajetória histórica marcada por avanços sociais, culturais e tecnológicos que, muitas vezes, recebem pouca visibilidade.
Ao abordar o período da escravidão, Monique explicou que milhões de africanos foram retirados de seus territórios e submetidos ao trabalho escravo, sendo o Brasil o país das Américas que mais recebeu pessoas escravizadas. A reflexão evidenciou que a história da população negra não pode ser reduzida a esse período, mas deve ser compreendida em toda a sua complexidade, resistência e protagonismo.
Outro aspecto destacado foi o processo histórico que culminou na assinatura da Lei Áurea, em 13 de maio de 1888. A psicóloga reforçou que a abolição da escravidão foi resultado de inúmeras lutas, mobilizações e movimentos protagonizados por pessoas negras e por diferentes grupos da sociedade. No entanto, lembrou que o fim legal da escravidão não representou o fim das desigualdades, dos preconceitos e das barreiras sociais enfrentadas pela população negra.
A atividade também promoveu reflexões sobre o racismo estrutural e seus impactos na sociedade contemporânea. Para a palestrante, enfrentar o racismo exige conhecimento, diálogo e ações concretas que contribuam para a construção de uma sociedade mais justa, respeitosa e inclusiva.
Ao final do encontro, os estudantes foram convidados a refletir sobre a importância de conhecer a história em sua totalidade, reconhecendo as contribuições dos povos africanos e afro-brasileiros, compreendendo que a promoção da igualdade racial é uma responsabilidade coletiva. Como destacou Monique Rosset, falar sobre racismo é, acima de tudo, uma pauta humanitária.
O trabalho sobre relações étnico-raciais no Ensino Fundamental Anos Finais contribui para a formação de cidadãos mais conscientes, empáticos e comprometidos com o respeito à diversidade. Essa temática está alinhada às Competências Gerais da BNCC, especialmente aquelas relacionadas à empatia, ao respeito às diferenças e à valorização dos direitos humanos, além de atender à Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB