Se o poeta Casimiro de Abreu (1839–1860), ao escrever no século XIX o poema Meus Oito Anos, no qual descreve em seus versos: “Oh! que saudades que tenho / Da aurora da minha vida, / Da minha infância querida, / Que os anos não trazem mais!”, conhecesse tudo o que o Brincando nas Férias proporciona às crianças da Educação Infantil ao 4º ano do Ensino Fundamental Anos Iniciais, certamente perceberia que, mesmo com o avanço das tecnologias, dos jogos e das telas, o estímulo ao brincar com barro, água e outras brincadeiras de época continua sendo um dos maiores construtores de memórias, e é tudo o que uma infância feliz e saudável precisa. É isso que o Brincando nas Férias oferece.
De 13 a 30 de janeiro de 2026, podemos dizer que iniciamos o ano letivo de uma forma especial. Envolvidos por uma atmosfera acolhedora, que preencheu nosso pátio e nossos corações, recebemos nossas crianças para diversas propostas lúdicas, planejadas pela equipe do desenvolvimento infantil, Direção Pedagógica, Coordenações Pedagógicas e também pela nossa bibliotecária, que colaborou na organização e execução de cada atividade.
Tivemos momentos de Hora do Conto que foram muito além de ouvir histórias: as crianças puderam interagir com os cenários e “entrar” nas narrativas. Obras como Camilão, o Comilão e A Cesta de Dona Maricota foram apresentadas de forma estratégica, trazendo reflexões sobre alimentação saudável, partilha e escolhas conscientes. O pátio do colégio transformou-se em um grande espaço de descobertas, com gincanas que estimularam o respeito entre equipe, agilidade, atenção, coordenação motora e momentos de liberdade para brincar como em casa, com patinetes e bicicletas, favorecendo o reconhecimento dos espaços do colégio como um lar. Afinal, o nosso colégio também é uma segunda casa.
E falando em segunda casa, a cozinha do nosso Colégio teve um papel especial durante o Brincando nas Férias. O aroma de bolos de chocolate e cenoura percorria os corredores, despertando sentidos e memórias. Mais do que cozinhar, as crianças participaram de todo o processo: colheram a cenoura, prepararam a massa e acompanharam o preparo até o forno. Nessas experiências, aprenderam sobre culinária, matemática e organização, percebendo que tudo fica ainda mais saboroso quando se participa de cada etapa.
Brincar com barro, sentir a água escorrendo nas mãos e explorar os elementos da natureza é reconectar-se com o nosso cerne criativo e com as belezas da criação, tão valorizadas por São Francisco de Assis. Os espaços ao ar livre tornam-se cenários ideais de aprendizagem, especialmente em um contexto em que as crianças, nativas digitais, são constantemente expostas a estímulos intensos de sons, cores e informações.
A autora Catherine L’Ecuyer, no livro Educar na curiosidade: a criança como protagonista da sua educação, nos lembra que “a natureza é uma das primeiras janelas de curiosidade da criança e pode ajudar a recuperar o significado da curiosidade a quem a perdeu”. Essa reflexão reforça a importância de proporcionar experiências simples, mas profundamente significativas.
Outro ponto marcante foi observar as mãos criando: dobraduras, pinturas com pó colorido (tinta holi) e produções livres que evidenciaram a imaginação e a expressão individual. No momento de encerramento, cada criança revelou sua personalidade por meio das fantasias e das formas de interação, mostrando que o brincar é sempre uma experiência singular e coletiva ao mesmo tempo.
Podemos afirmar que brincar nunca é apenas “passar o tempo”. É um processo rico de aprendizagem, no qual a criança é autora, protagonista e construtora de suas ideias, sonhos e perspectivas. Nesse sentido, concordamos com o pediatra e psicanalista britânico Donald Woods Winnicott, que afirma: “Brincar é, por si só, uma experiência criativa, uma forma básica de viver”.
É na brincadeira, desde os primeiros anos de vida e ao longo de todo o desenvolvimento, que quando bem estimulada e em ambientes preparados, a criança desenvolve autonomia, fortalece seus sonhos e se reconhece como protagonista da própria história.
Por fim, o Brincando nas Férias é exatamente isso: nós, como colégio, preparamos os espaços e planejamos as atividades, mas é no brincar da criança que aprendemos sobre seus limites, suas vontades e suas possibilidades. É nesse processo que inovamos pedagogicamente, compreendendo que aprender também é se divertir, experimentar, errar e recomeçar.
Agradecemos, ainda, a todas as famílias que, de forma indireta, também brincaram, aprenderam e se redescobriram com seus filhos durante essas semanas que celebraram a infância e a beleza do brincar. O autor Casimiro de Abreu também certamente estaria orgulhoso, pois, em outros versos do seu poema aqui citado, escreveu:“ Naquelas tardes fagueiras/à sombra das bananeiras/ debaixo dos laranjais”. Aqui, em nosso Colégio, ainda não temos bananeiras e laranjais. Porém, temos a nossa Figueira. Sob a sua sombra, vivenciamos inúmeras explorações, descobertas e momentos de partilha. Ela permanece como uma silenciosa e feliz testemunha de toda ideia boa que ali brota, acolhendo gerações e inspirando novas histórias a cada ano. Que por muitos anos ainda siga acompanhando os sorrisos de todos que, ao seu redor, brincam, aprendem e consolidam memórias.


