Começamos este texto dizendo que não foi só a Primavera Cultural que desabrochou no dia vinte e cinco de setembro de dois mil e vinte e cinco, como também as notícias que por aqui estavam esperando o tempo certo para florescer. E realmente o tempo certo chegou. É impossível não associar a primavera com a beleza, o perfume e os encantos. Espera… de qual primavera estamos falando?
Todas as qualidades desta estação do ano foram vistas e aplaudidas em frente ao palco do Centro Cultural 25 de Julho, às dezenove horas, no evento Primavera Cultural, organizado nos mínimos detalhes pelo Ensino Médio do Colégio Franciscano São José. Com a temática “Entre ponteiros e revoluções: o legado de um tempo”, famílias e educadores puderam ser hipnotizados pelo show e se transportar para épocas memoráveis, que lançaram ícones, tendências e estilos reconhecidos e apreciados até os dias de hoje pelas gerações Z e Alfa.
A décima segunda edição do evento abrilhantou as escadas do 25 de Julho com suas fantasias, vestidos e figurinos, conseguidos por meio de patrocínios de lojistas e empresas parceiras desta noite cultural. Aberto ao público, com o ingresso custando 1 kg de alimento não perecível, muitas pessoas puderam assistir a estudantes em uma banda tocando rock e MPB, com bateria e guitarra presentes, acompanhados de uma voz doce e que parecia sair do fundo do coração, cantando Cartola, Chico Buarque, entre outros.
Quem esteve nesta noite recordou a sua geração e também o que só viu em livros, filmes e letras de música ganhar vida no palco e poder falar com eles. Conduzidos por estudantes que traziam, por meio de esquetes, reflexões acerca da nostalgia quando se deparavam com televisões de tubo, discos e o streaming da época, que durou até meados dos anos 2000, época em que alguns estavam nascendo, a locadora, as pessoas puderam, em uma noite:
- Conhecer a vida em família, os sonhos e os medos de Anne Frank, além da sua imagem relacionada aos horrores da 2ª Guerra Mundial, por meio de uma peça teatral;
- Os pensamentos de Santos Dumont;
- O discurso de Getúlio Vargas na extinta TV Tupi;
- Danças de melindrosas, Elvis Presley, Michael Jackson e as batalhas dos clubes de dança pop, tendo como característica a música que tocou em muitas danceterias dos anos 80, “Sweet Dreams”, da dupla Eurythmics;
- Ayrton Senna trazendo de volta a emoção ao levantar a taça de campeão e transmitindo uma mensagem para os dias de hoje;
- Quem não cresceu sabendo quem é o Chaves? Teve a representação do Festival da Boa Vizinhança;
- Reflexão sobre o racismo e seus perigos na sociedade, como a tragédia de George Floyd.
Sabe tudo de bom que se viveu décadas atrás? Jovens de 15 a 18 anos representaram no palco e fizeram o público que ia de bebês de colo a pessoas de 80 anos vibrar com toda a nostalgia e saudade de quando eram crianças, adolescentes, jovens como eles, com as primeiras responsabilidades da vida adulta. Mesmo quem não viveu dos anos 20 aos anos 2000 com certeza tem saudade também do que gostaria de ter vivido.
Esses jovens, na Primavera Cultural, se organizam com meses de antecedência. Montam grupos para cuidar da estrutura do palco, do financeiro, do marketing, do relacionamento, tudo o que um grande evento cultural precisa, e planejam e executam com profissionalismo, com apoio de professores e da coordenação. Na coordenação, puderam contar com todo o suporte do coordenador Vinícius Drey e da professora Bianca Siqueira. A professora Bianca recebeu um agradecimento especial por ter auxiliado nos desdobramentos históricos e culturais que seriam impactantes nos 100 anos contados pelo evento.
Os views que o perfil da Primavera Cultural recebeu em cada making of postado, nos takes e fotos dos momentos do dia que continuam publicados, revelam o sucesso que foi, é e continuará sendo. Cabe dizer que, para quem assistiu, agora tem-se nostalgia da Primavera Cultural. Assim é o Jeito Franciscano de Educar: encorajar protagonismos sem deixar de conhecer o passado e respeitar os legados.
Toda essa prática foi celebrada com sons, cores e brilhos. Que possamos continuar levando cultura para a nossa cidade com o custo de um alimento não perecível, pois todo ser humano tem o direito de ouvir uma boa música, ler bons livros e ter uma alimentação digna e tudo isso este evento proporcionou. Cultura é mais do que a difusão de belas-artes: é também a difusão do conhecimento, e o frescor da nossa Primavera pode desabrochar ideias e entendimento